O ponto sensível não é a adoção de tecnologia pelo Estado, mas a narrativa que coloca, sob o mesmo rótulo de inovação, áreas com objetivos muito diferentes. Ao aproximar gestão penitenciária, cidadania e defesa do consumidor em um único conceito, corre-se o risco de reduzir a percepção da segurança prisional como função típica de segurança pública e de enfraquecer simbolicamente a identidade institucional da Polícia Penal.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, assinou na terça-feira (2) a portaria Nº 1176/2026 que reconhece o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT). A medida amplia os instrumentos de atuação da pasta, possibilitando a celebração de novas parcerias, o acesso a recursos públicos e, principalmente, a produção de conhecimento e inovação para o país.
A proposta reúne temas diversos, como segurança pública, combate ao crime organizado, defesa do consumidor, proteção da cidadania e gestão do sistema penitenciário, dentro de uma mesma lógica de inovação institucional. Embora a medida possa representar avanços importantes na utilização de tecnologia, inteligência de dados e modernização administrativa, especialistas e representantes da área penitenciária alertam para a necessidade de preservar a identidade constitucional da Polícia Penal e a natureza específica da segurança prisional.