Representantes de sindicatos e associações participaram, na manhã de 31 de agosto, de uma reunião de capacitação e esclarecimentos sobre a Prova de Vida Digital 2026, na sede do Rioprevidência, no Centro do Rio de Janeiro. O encontro teve como objetivo apresentar as diretrizes do novo procedimento obrigatório para servidores inativos e pensionistas do Estado e preparar as entidades para orientar e prestar suporte aos beneficiários durante sua implantação.
A reunião foi realizada no auditório do instituto, na Rua da Alfândega, e reuniu técnicos e gestores do Rioprevidência, representantes da Escola de Educação Previdenciária, do Centro Cultural e dirigentes de entidades representativas. Durante a apresentação, foram detalhados o funcionamento da prova de vida pelo aplicativo Gov.br, o calendário previsto, os mecanismos de acompanhamento e as medidas de prevenção a fraudes.
Procedimento começará em outubro
De acordo com as informações apresentadas, a Prova de Vida Digital 2026 começará pelos aposentados e pensionistas aniversariantes de outubro. O procedimento deverá ser realizado no mês de aniversário de cada beneficiário. Assim, quem faz aniversário nos meses seguintes somente precisará cumprir a obrigação quando chegar o respectivo mês, podendo utilizar o período anterior para preparar a conta e se familiarizar com o aplicativo.
O modelo foi concebido para funcionar de forma digital, por meio do aplicativo Gov.br, com reconhecimento facial. Para acessar o serviço, o beneficiário precisará possuir conta de nível prata ou ouro. Quem ainda estiver no nível bronze deverá elevar o grau de segurança da conta, o que pode ser feito pelo próprio aplicativo mediante os mecanismos de validação disponíveis.
Segundo os representantes do Rioprevidência, a digitalização busca reduzir deslocamentos e permitir que aposentados e pensionistas realizem a prova de vida de casa ou de qualquer outro lugar, inclusive com o auxílio de familiares ou de uma pessoa de confiança. As agências poderão prestar orientação sobre o acesso e a regularização da conta Gov.br, mas o reconhecimento facial deverá ser feito no aplicativo.
A apresentação também indicou que beneficiários menores de 16 anos e pessoas que, mesmo após receberem orientação, não consigam concluir o procedimento terão suas situações analisadas de forma específica.
Rioprevidência administrará a base pelo Cadprev
O Rioprevidência ficará responsável pela gestão da base de aposentados e pensionistas no Cadprev, sistema vinculado ao Ministério da Previdência Social e integrado ao Gov.br. A cada mês, o instituto deverá incluir os novos aniversariantes e manter identificados aqueles que ainda estiverem pendentes.
Depois da conclusão do reconhecimento facial, o beneficiário poderá consultar a situação no próprio aplicativo Gov.br. Também está em desenvolvimento, em articulação com o Proderj, a possibilidade de consulta pelo RJ Digital. Nesse segundo canal, entretanto, a atualização poderá não ser imediata.
O instituto informou que produzirá materiais explicativos, em formatos digital e impresso, com o passo a passo do procedimento. Também estão sendo preparados painéis estatísticos para acompanhar a adesão, identificar dificuldades e orientar eventuais ajustes durante a implantação.
Ausência no mês do aniversário não provocará suspensão imediata
Um dos principais esclarecimentos prestados durante a reunião foi que o encerramento do mês de aniversário sem a realização da prova de vida não provocará a suspensão automática do benefício.
Conforme a sistemática apresentada, a relação de beneficiários pendentes deverá ser divulgada até o décimo dia útil do mês seguinte. Depois dessa publicação, haverá prazo adicional para regularização antes de qualquer repercussão no pagamento.
A direção afirmou que a finalidade da prova de vida não é suspender benefícios, mas confirmar a regularidade dos pagamentos, evitar fraudes e impedir a continuidade de depósitos indevidos. Também assegurou que os dados dos primeiros meses serão avaliados antes da adoção de medidas mais severas.
Casos de pessoas idosas, pensionistas, beneficiários enfermos, com mobilidade reduzida ou pouca familiaridade com ferramentas digitais poderão exigir tratamento diferenciado. Sindicatos, associações e setores de Recursos Humanos poderão encaminhar ao Rioprevidência as situações excepcionais que não forem resolvidas pelos canais ordinários.
Instituto alerta para golpes e informações falsas
A prevenção a fraudes ocupou parte importante do encontro. Os participantes relataram a circulação de informações falsas sobre o calendário da prova de vida e a ocorrência de tentativas de golpe contra aposentados e pensionistas.
O Rioprevidência alertou que não enviará links para a realização da prova de vida e não fará visitas domiciliares com essa finalidade. Mensagens oferecendo links, atendimento em casa ou qualquer forma de intermediação deverão ser consideradas suspeitas.
As orientações serão divulgadas pelos canais institucionais. Por isso, sindicatos, associações e RHs foram orientados a utilizar apenas informações e materiais oficiais, evitando a reprodução de conteúdo sem confirmação. As entidades também deverão atuar como multiplicadoras, ajudando a alcançar beneficiários que não acompanham redes sociais ou possuem dificuldade de acesso às plataformas digitais.
Nova reunião deverá avaliar primeiros resultados
Durante o encontro, foi proposta a realização de uma nova reunião no fim de outubro. A intenção é apresentar o número de aniversariantes que deveriam cumprir a obrigação, verificar quantos concluíram a prova de vida e identificar os principais obstáculos encontrados.
As entidades poderão levar casos concretos e contribuir para a avaliação das medidas necessárias. O Rioprevidência informou que pretende manter reuniões periódicas com RHs, sindicatos e associações, fortalecendo o fluxo de informações e o acompanhamento do processo.
Também foi defendida a criação de um canal institucional para o encaminhamento de situações excepcionais. A proposta não é transformar sindicatos e associações em postos de atendimento, mas permitir que casos já submetidos aos meios regulares e ainda não solucionados sejam levados à análise do instituto.