Entre cigarros, cestas de custódia e interesses palacianos, policiais penais assistem atônitos à mercantilização do sistema prisional sob a condescendência da administração.
Todo negócio tem riscos e, quando se trata de negócios implícitos entre a administração pública e o crime, a coisa tende a exalar maus odores. Um desses episódios é a suspensão temporária das compras das chamadas cestas de custódia (delivery carcerário) pelo Comando Vermelho.
Os líderes da facção teriam suspendido o “delivery carcerário” pelo fato de que a administração da SEAP, visando empreender maior lucratividade aos negócios palacianos que a mantém no cargo, estaria limitando a entrada de cigarros pelas visitas e, também, pelo Sedex.
Quem autorizou a entrada de micro-ondas para as celas a fim de favorecer o consumo de congelados pelo efetivo carcerário, vendidos no chamado “delivery carcerário”, mais conhecido como cestas de custódia? Essa concessão, em forma de barganha, foi detectada pela VEP?
Os policiais penais assistem a tudo atônitos e sem poder combater essa esdrúxula mercantilização, agora apenas suspensa temporariamente pela própria facção, em razão da ganância de “empresários palacianos” que tentam auferir lucros exorbitantes não apenas com todos os produtos expostos à venda, mas sobretudo com a comercialização de cigarros, sob a condescendência e manipulação da administração da SEAP.
Enquanto isso, o governo massacra a categoria e nega direitos básicos como a estruturação da carreira (PCCS); a extensão e o reajuste do auxílio-alimentação para todos os policiais penais; a recomposição salarial; a desídia em relação à falta de vagas e melhor acesso para inscrição no RAS; além da indigna e injusta resolução de promoção por merecimento que beneficia servidores específicos, entre outras distorções.
Assim, ao mesmo tempo em que negligencia direitos da categoria, o governo, alinhado a interesses particulares de agentes públicos e à camarilha palaciana, parece alimentar-se daquilo que o crime pode lhe proporcionar.