O SindSistema Penal RJ vem a público esclarecer e repudiar a tentativa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) de inverter a lógica da denúncia legítima apresentada pelo Sindicato em vídeo amplamente divulgado, transformando um debate público sobre gestão, prioridades e políticas penitenciárias em uma narrativa artificial de “ataque pessoal”.
Em nenhum momento o conteúdo divulgado pelo Sindicato desqualificou, atacou ou colocou em dúvida a honra, a ética ou a capacidade profissional da jornalista Flávia Jannuzzi, tampouco do ator Maurício Mattar. A tentativa de personalizar o debate constitui desvio deliberado de foco, que busca esconder aquilo que efetivamente foi denunciado: o uso sistemático de ações de marketing institucional para encobrir problemas estruturais graves do sistema penitenciário fluminense.
Ao contrário do que afirma a SEAP, a crítica não é à jornalista, mas ao papel que a comunicação oficial vem cumprindo ao conferir aparência de eficiência a uma gestão que não respeita seus servidores. Uma gestão que mantém um efetivo funcional exíguo, insuficiente e sobrecarregado; que não encaminha à Casa Civil a Minuta de estruturação da Polícia Penal, perpetuando a omissão na consolidação da carreira; que não ajusta as vagas de promoção, negando direito líquido a servidores que aguardam há anos por progressão funcional; que intenta retirar a rubrica do auxílio-alimentação do contracheque, em um processo tardio de reajuste, substituindo-a por cartão vinculado a contrato temporário, gerando insegurança jurídica; de um governo que não honra compromissos de reajuste salarial assumidos; e, ainda assim, investe pesadamente em ações de imagem e marketing, em detrimento da solução concreta das mazelas do sistema penitenciário.
Nesse contexto de abandono estrutural, chama atenção o escárnio representado pelas chamadas “cestas de custódia”, implementadas pela SEAP como se fossem política pública relevante.
Enquanto faltam servidores, promoções, estrutura, carreira e valorização profissional, a gestão opta por medidas simbólicas, paliativas e midiáticas, que em nada enfrentam a crise real do sistema penitenciário, servindo apenas para produzir material publicitário e alimentar narrativas artificiais de cuidado institucional. Para quem vive a realidade das unidades prisionais, tais ações soam como afronta à inteligência e à dignidade dos trabalhadores da Polícia Penal.
Reconhecer que uma jornalista é competente — e o é — não impede apontar que sua atuação institucional tem sido utilizada para embelezar uma realidade dura, marcada por abandono, descaso e ausência de políticas estruturantes. Isso não é ataque pessoal, é crítica legítima à estratégia de gestão e comunicação do governo.
Da mesma forma, não houve qualquer tentativa de desqualificar o ator Maurício Mattar. Sua visita à SEAP e participação em projeto cultural não foram objeto de ataque, mas contextualizadas dentro de uma política de marketing institucional, que privilegia ações simbólicas enquanto direitos básicos dos policiais penais seguem negligenciados. Questionar a prioridade política dessas ações não é ataque, é exercício sindical legítimo.
Causa estranheza que a SEAP, ao invés de responder às denúncias objetivas, opte por atribuir intenções políticas pessoais ao presidente do Sindicato, sem qualquer prova, recorrendo à tentativa de desqualificação moral como forma de silenciar o debate. Essa postura não engrandece a gestão pública, nem contribui para a valorização da Polícia Penal.
O SindSistema Penal RJ reafirma que não aceita ser intimidado por notas de repúdio com viés persecutório; não recuará na denúncia de omissões, injustiças e violações de direitos; seguirá atuando com responsabilidade, base factual e compromisso exclusivo com a categoria, independentemente de tentativas de criminalizar a crítica sindical.
Por fim, é importante registrar: quem empobrece o debate público não é quem denuncia, mas quem foge do mérito, prefere o ataque retórico e se recusa a enfrentar os fatos. A Polícia Penal do Estado do Rio de Janeiro merece mais do que propaganda. Merece estrutura, carreira, valorização, respeito e verdade.
SindSistema Penal RJ